Blood Raven
Congeladas ficavam a medida que se aproximavam daqueles grandes portões enferrujados pelo tempo e pelos espectros e forças invisíveis que ali vagavam. Uma neblina rasteira cobria tudo silenciosamente e o gemido peculiar anunciava o que vinha a frente. Todo o cemitério era rodeado por grades de ferro, com excessão do portão principal e mais um ou dois pontos, onde a natureza do lugar conseguiu corroer com sua erosão incansável. Foram circulando e observando as formas que vagavam balançando seus corpos preguiçosamente. Eles sempre demoravam muito para perceber o movimento ao seu redor, menos ela. Bem alta, com um capacete prateado que cobria toda a sua face e deixava apenas os olhos visíveis, tinha a parte da frente alongada como o rosto de um lobo, terminando em cima com dois chifres enrolados como o de carneiros das montanhas. Botas até a altura dos joelhos, ombreiras de metal com pontas afiadas, um belo tórax somente guardado por uma peça de couro à maneira das rogues. Um grande arco nas mãos com uma flexa fumegando na ponta. Com uma voz rouca gritara: venham se juntar ao meu exército irmãs. Neste momento todos os zumbis partiram na direção das duas, chocando-se com as grades. Uma verdadeira multidão batendo-se e lamentando-se com os braços estendidos em sua direção. Eles se batiam e se empurravam e alguns começavam a atravessar as aberturas. Eram abatidos rapidamente pois vinham pela abertura em poucos números, porém eram infinitos e para cada um abatido, Blood Raven aproximava-se de um túmulo e com um gesto ritual do arco, levantava-se um novo zumbi. Ela ainda atirava flexas de fogo contra as duas, tornando aquela situação cada vez mais perigosa. O único objetivo das duas era derrubar a fonte criadora dos zumbis, o que não seria nada fácil com aquela multidão de corpos na frente. Movimentavam-se rapidamente em todas as direções e não tardaram a perceber que a estratégia de atrair pela assassina e atirar da amazona não seria eficiente. Teriam que se separar. Debrave se expos totalmente, distraindo os zumbis e deixando o caminho livre para Demarco que contornou as grandes grades, tão veloz e silenciosa, chegando ao outro lado do cemitério em segundos. Moveu-se rapidamente entre as lápides até chegar na antiga árvore seca no centro do local, de onde pendiam pelos pescoços várias rogues. Neste momento pôde vê-la aproximando-se de mais um túmulo e praticando o seu ritual de invocação de um novo zumbi, enquanto a amazona gritava do outro lado. Em um piscar de olhos num duplo ataque de garras, penetrou profundamente as costas de Blood Raven, logo depois torcendo-as. Em um espasmo violento e com um grito que ecoou pelo cemitério seu corpo foi ao chão, desprendendo raios mágicos em todas as direções. A amazona que estava cercada e disparava flexas o mais rápido que conseguia, já tinha um zumbi agarrado a uma de suas pernas, escutara o grito e vira os raios vindo em sua direção que ao tocarem nos zumbis tiravam as suas vidas, caindo pesadamente e exalando o odor caracteristico de carne apodrecendo. Do corpo que tremia no chão, de repente surgiu um vulto branco, que com um último espasmo, subiu e se desfez em direção aos céus. Descanse em paz irmã. Exclamaram juntas. Ao chegarem no acampamento, ouviram Kashya dizer que não acreditava que as duas tinham conseguido vencer Blood Raven, porém agradeceu por elas terem dado descanso a sual alma torturada, dissipando então todas as dúvidas restantes que ainda podiam existir sobre a dupla. Teriam uma excelente recompensa como veremos adiante.
Continua...
Escrito por Murillo às 10h31
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