Mana

Prosseguindo seu caminho cautelosamente, pareciam estar chegando ao seu destino final, nesta caverna pelo menos. O ar cada vez mais fétido e pesado tornava o caminho mais doloroso, esmagavam com os pés ao passar todo tipo de aracnídeos, lesmas e ratos. Na última galeria da gruta estava o quê não queriam encontrar: zumbis. Fatigadas por todo esforço do caminho, Debrave já quase sem flexas e Demarco quase sem armadilhas, se viram cercadas por pútridas criaturas que jogavam seus corpos deformados contra elas. A armadura de navalhas da assassina já se fora e a amazona também não conseguia disparar flexas de fogo. Neste ponto da batalha o combate já era corpo a corpo, com a vantagem numérica dos zumbis. Conseguiram divisar no fundo da caverna um novo zumbi, de cor esverdeada com uma aura estranha e à medida que se aproximava delas, aquela cor morta parecia possuí-las e sugar suas vontades. O único pensamento que tinham em mente: afastarem-se dele. Cambaleantes reuniram todas as forças que restaram em seus corpos e correram a procura de luz, com aquele ranço com seus tentáculos segurando-as. Situação lastimosa. Até viram-se agradecendo por ter uma a outra e aceitando a morte certa. Afastando-se tenazmente, encontraram a rota de fuga bloqueada por diabretes sobreviventes, que haviam se escondido em algumas fendas nas paredes. Desespero. Karladebrave rugiu e foi na direção daqueles pequenos demônios, pois o que vinha atrás era bem pior, e foi apedrejada. De repente se viu vagando nas suas terras, naqueles verdejantes campos e densas florestas, seus imponentes palácios e da força de suas bravas mulheres. Os homens tinham papel secundário naquela ilha-continente. Burocráticos, matemáticos, sem sensibilidade e sem coragem para a guerra. No seu sonho corria por um longo corredor formado por colunas colossais, sobre elas uma cúpula desenhada com batalhas antigas. KarladeMarte, sua antepassada mais distante, nela aparecia. Seu vulto subitamente saiu da imensa gravura e parecia ter um pequeno pote com um líquido azul nas mãos. Karlademarco esfregou as garras uma na outra com um barulho bem característico. Correu ao lado da amazona e também viajou em outra trama. No interior do seu templo, no exercício final de seu treinamento, uma imensa sala totalmente escura, em pé sobre um precipício, percebia a sua frente colunas se movimentando, deveria andar sobre elas, porém só cabia um pé de cada vez, acima uma espécie de alças também se movimentando. Até onde podia ver, a sincronização entre coluna e alça era perfeita. Do fundo sentia um leve odor de enxofre e uma quentura. Poderia jurar que aquele fundo guardava a entrada para o próprio santuário do caos. Tinha apenas uma dúvida em mente: as alças ou as colunas ficariam na posição para que ela fosse e voltasse mais de uma vez? Seus instintos diziam que não. Teria que planejar um caminho que era bem tortuoso e que a levasse de uma só vez até o outro lado. Fechou os olhos e atravessou. Ao chegar do outro lado uma imponente figura a espera com um pote azul nas mãos. Na caverna um grito ecoou uníssono: MANA! Debrave tinha dois potes no cinto. A energia espiritual que lhes faltava. Jogou uma para assassina e também uma poção vermelha regeneradora. O que se viu depois foi uma luta tremenda. Renovadas pelos seus insights e pelas poções, Debrave levantou o arco para o teto e uma nuvem brilhante se formou. Imediatamente seus oponentes começaram a brilhar justamente nos pontos onde ela sabia que deveriam ser atingidos, porém a assassina também podia vê-los.

continua...  



 Escrito por Murillo às 10h44
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Entrando na escuridão

Dois vultos na entrada de uma caverna, banhados por uma fina chuva e pela luz do luar que ainda insistia em atravessar alguns buracos entre as nuvens. Pareciam fazer parte do próprio ambiente. A respiração, a união, a comunhão com a natureza, eram a marca destas duas aventureiras. Olhavam fixamente a entrada da caverna. Parecia levar para outro mundo, outra dimensão. Entreolharam-se. Pensaram juntas e exclamaram: O baú! Foram até ele. Debrave atônita ainda perguntava como ela sabia do baú. Mais discussões. Chegaram até a grande caixa e Demarco já sabia de toda a história. Um baú trancado não era nada para as suas habilidades. Não existem portas trancadas para uma assassina gabava-se. Após examiná-lo rapidamente, deu um leve golpe sobre a tampa que abriu impulsionada para cima por uma mola e um barulho estranho. Abaixe-se, gritou alucinadamente! Um feixe de punhais partiu formando um círculo e chegou a tocar cortando algumas partes de seus corpos. Especialista em trancas vociferava Karladebrave. Demarco sentada se lamentava. No interior do baú. Nada. Espantosa obra traiçoeira. Voltaram para a entrada do covil escuro. Não restava mais nada a fazer, a não ser nele submergir. Não sabem quantos dias passaram dentro daquela caverna. Perderam a noção do tempo. O ambiente para a assassina era perfeito. Escuridão completa. Ar pesado. Chão lodoso. Morcegos iam e vinham insistentemente. Ratos. Serpentes. Estes seres para elas eram inócuos e não representavam perigo. A amazona aos poucos se acostumava com o lugar, pois a capacidade de adaptação era uma de suas características mais marcantes. Demarco guiava o caminho plantando armadilhas de todas as espécies e Karla alvejava seus inimigos e tomava o cuidado para recuperar as suas flexas. Em um momento de desespero máximo Debrave teve um outro insight e sonhava acordada que recebia das mãos de um Deus da sua ilha a flexa de fogo dos seus antepassados. Numa reunião mística com o ar e o fogo conseguiu trazer as partículas do éter num foco, concentrando-as e incandescendo uma flexa que ao ser disparada, explodiu em chamas no crânio de um xamã, causando tanto horror aos diabretes que a cercavam que correram loucamente, tornando-se vitímas fáceis para a assassina e suas garras. Aos poucos aprendiam a trabalhar em equipe. Demarco chegou a um tal ponto de concentração que as suas energias mentais se solidificaram, tomando a forma de navalhas, começando a circular em torno de seu corpo. Pobres daqueles tolos o bastante para se aproximar dela. Aprofundavam-se cada vez mais no interior daqueles túneis e os inimigos tornavam-se cada vez mais fortes, violentos e perigosos. Iam usando seus poderes recentemente adquiridos e o estrago que faziam era considerável, porém aos poucos eles foram se enfraquecendo. O cansaço, a fadiga, a falta de alimentos já estavam sendo sentidos pelas duas acentuadamente. Teriam forças para exterminar todos os inimigos e retornar?      



 Escrito por Murillo às 18h10
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