Almejo
Estou de olhos fechados
Mente e corpo relaxados
Diante de uma rústica porta
Abro-a e desço por uma escada que range a cada degrau lentamente
Claudico
A luz é opaca
Meu corpo é translúcido
O real é turvo
Chego em meio a um sombrio jardim
De papoulas negras
Ouço o canto de corujas cinzas
Vago cambaleante em direção à uma luz
E atravesso um raso veio de água gelada
Vacilo
Estou em uma planície verdejante
O céu é um límpido azul-claro
Nuvens estrato esparsas
O sol é dourado
Uma linda montanha no fundo
Que cresce singular no horizonte
De onde sangra grande cachoeira
Súbito estou em seu sopé
Subo dentro da sua corrente
Mil navalhas prateadas cortam meu corpo
Lavando minha alma com o sofrimento
De todas as dores
Culpas
Medos
A cada passo em meio a vertente
Vou me purificando e ficando contente
A cada passo em meio a vertente
Vou me purificando e ficando contente
Estou no alto da cachoeira
Meu corpo molhado seca ao sol
Estou completamente feliz
Vislumbro este mundo que também é mais puro
Livre da apatia e egoísmo senis
Vislumbro este mundo que agora é mais puro
Este meu impassivo mundo interior
Renascendo