Reflexões/Lamentações do além
O quê inspira os homens a continuarem em suas jornadas?
Os poetas, músicas e livros?
O quê nos move hora à hora, dia à dia, ano à ano?
Seitas e religiões?
O quê faz com que os homens prossigam em suas caminhadas?
O medo de Deus, do barqueiro ou do inferno?
O quê dá esperanças para que a vida valha a pena?
O futuro dos seus filhos? Mas seus filhos não teriam que viver suas próprias vidas?
O desejo de acumulação? Para quê isso nesta vida finita?
O orgulho que se compraz em mostrar aos outros que você pode mais?
Que futilidade!
Um grande amor não correspondido?
Inacreditável que este amor não seja correspondido...
É um sentimento tão intenso, puro e terno...
Deveria simplesmente despertar uma curiosidade, um desejo de conhecê-lo...
de prová-lo, absorvê-lo... deveria despertar algum sentimento
Não consigo me conformar, não posso aceitar... este sentimento só recebe desprezo em retorno
no lugar da sinceridade que merecia.
Isto não pode ser amor verdadeiro! É uma obsessão, cisma, subordinação, perdição...
Ás vezes penso que esta paixão vem de outras épocas, de outros tempos...
E de repente despertou...
Se não foi possível neste momento, será mesmo possível em outro?
O quê me inspira a continuar a minha vida?
Ontem ouvi tua voz me chamando pelas montanhas
Atravessei a ponte dos sentidos sobre o mar sombrio
Afoito fui ao teu encalço
Mas foi um sonho
Fruto da minha cansada imaginação
Eu preciso apenas de uma chance para te envolver
Caia em meus braços
Uma chance para te mostrar o quanto eu te quero
Lamba o meu orvalho
A oportunidade para mostrar como é grande o meu amor
Cravo
Minhas presas em tua garganta
Uma chance para dizer como és importante
Toco teu sagrado pomo
Ontem eu pensei ter te visto cruzando uma rua
Te persegui e quando te toquei
Desmaterializou-se timidamente
Parecendo gostar do que fazia
Imaginei então tua silueta na parede
Dançando insinuante
Te beijei mas era fria
Amarga
Distante
Cínica
Bela
Lança teu charme sobre mim
Me possue e sabe disso
E teme ser possuída por mim
Escrito por Murillo às 11h01
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