Faz-de-conta
Seguem meus sonhos...
Faz-de-conta
Que você está na minha frente
Que eu beijo a tua face e o teu pescoço
Minhas mãos correm pelos teus braços
E pressionam levemente os teus ombros
Faz-de-conta
Que meu rosto está entre os teus seios
Estou sufocando tranquilamente
Minhas mãos correm para a tua cintura
Beijo o seu umbigo delirante
E minha boca alcança teu macio monte
Faz-de-conta
Que o mundo é justo
Que o meu amor é justo
Que eu sou justo
Que você é justa
Faz-de-conta
Que encaro teu felino olhar no escuro
Tuas unhas vem esfolar e a minha carne sangrar
E fazer meu corpo tremular
Faz-de-conta
Que meu rosto se aproxima do teu lentamente
Que meu peito se encosta no teu avidamente
Que meu sexo se aproxima do teu maliciosamente
Neste encaixe sensualmente sobrenatural
Faz-de-conta
Que o mundo é surdo
Que o mundo é cego
Que o mundo é mudo
E que nossos sentidos estão ampliados
Nesta idílica imensidão
Me perco nesta invencível amplidão
Faz-de-conta
Que o sol encontrou a lua
Com uma força de atração irresistível
Agredindo
Arranhando
Maculando
Com este desejo até então reprimido
Eclipsando minha própria vontade
Meus ideais
Existência
Sanidade
Profanando minha liberdade
Ressucistando minha espontaneidade
Infantil
Faz-de-conta
Que eu te encontrei por acaso
Sob a luz dos astros meus pés no riacho
Um vasto e profundo lago
Eu por mim mesmo encantado
Quero e não quebro este feitiço por ti lançado
Ás vezes até amaldiçoado
Pelo simples fato de existir amado
Minha amada mortal
Escrito por Murillo às 01h05
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